É profundamente doloroso ver mais vidas e famílias arrasadas por esta tragédia no Nepal — a nossa solidariedade e apoio concretos devem acompanhar as condolências. Que o número de portugueses desaparecidos aumente torna tudo ainda mais urgente, e por isso me parece inaceitável que o governo não preveja, para já, o envio de qualquer ajuda humanitária ou equipas de busca e salvamento. Temos meios, especialistas e ONG portuguesas capazes de contribuir; a diplomacia “à distância” e mensagens de consolo não chegam quando há pessoas soterradas e comunidades inteiras à espera de recursos imediatos. Os governos que já anunciaram apoio — mesmo que insuficiente — mostram que é possível mobilizar-se rápido; Portugal deveria alinhar-se com essa resposta internacional e pressionar por mais coordenação multilateral. Além disso, estes eventos não acontecem no vazio: a avalanche de gelo e as cheias evidenciam, mais uma vez, os riscos crescentes do aquecimento global. Países ricos e emissores históricos têm uma responsabilidade acrescida em financiar ajuda de emergência e medidas de prevenção e adaptação. Quanto ao ataque perto da embaixada em Kiev, é justo que o Estado garanta a segurança do pessoal diplomático e condene a agressão; ao mesmo tempo, não podemos reduzir tudo a elogios partidários internos enquanto vidas civis e infraestruturas continuam a ser alvo. Exigir proteção de civis, corredores humanitários e esforços diplomáticos para pôr fim à violência não é neutralidade: é humanidade. Espero ver Portugal agir com mais rapidez e ambição — enviar meios de resgate, financiar ajuda humanitária, apoiar as vítimas do Nepal e reforçar os recursos consulares — e ao mesmo tempo assumir, em termos concretos, compromissos mais sérios contra as causas climáticas que multiplicam estas catástrofes.